Chata pra livro

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Ultimamente, tenho percebido a minha dificuldade para amar ou, simplesmente, comprar um livro. Há uns dois meses, decidi doar todos os livros que não estivessem sendo lidos, utilizados, ou que não fossem muitíssimo amados por mim. Foi um longo e cansativo processo, mas que valeu muito a pena.

Começou quando percebi que meu quarto estava lotado. Passei a refletir o porquê daquilo. Por que guardá-los e não passá-los para frente, dando um sentido maior a eles? Queria que outras pessoas tivessem a oportunidade de lê-los ou de passar novamente a outras pessoas. Fazer um ciclo, deixando a energia fluir.

Alguns deles foram para a Biblioteca Municipal, que muito me agradeceu por doá-los em bom estado, tão novos e pouco manuseados. As atendentes me disseram que as pessoas costumam doar livros péssimos, rasgados, amassados, riscados, muito muito velhos, que acabam sem utilidade. Outra parcela foi vendida (aqueles que eram muito difíceis de achar na internet, teóricos, que eu havia usado para o TCC), contribuindo financeiramente para a minha viagem que se aproxima. Mas a grande parte eu passei a amigos e amigas que gostam muito de ler. E essa foi a mais prazerosa, porque cada um deles teria uma nova leitura, além de sempre se lembrar de mim.

Depois da limpeza, eu fiquei muito mais criteriosa para comprar. Entrei diversas vezes em livrarias, olhei infinitos exemplares e não me identifiquei com nada. Conversando com uma amiga, cheguei à conclusão de que eu amadureci na leitura. Isso significa que sei o tipo de livro, conteúdo, formato, autor que gosto. É sempre bom encontrar o que te faz mais feliz. Tentei, por diversas vezes, ler livros que não faziam o meu tipo e era só frustração!

Uma vez li uma frase que falava mais ou menos assim: não insista em um livro que não está te agradando, pois não vale a pena. É que a leitura precisa ser prazerosa, te deixar entretido. Não precisa ser maçante, não precisa te matar de tédio. Se ler livros infantojuvenil é o que te faz feliz aos 40 anos, tudo bem! Se ler autoajuda te deixa relaxado, que bom! E assim por diante…

Quando me dizem que eu PRECISO OBRIGATORIAMENTE ler Gabriel García, Eça de Queiroz, Saramago, eu torço o nariz. É simples: a leitura não flui. Mesmo não sendo uma regra, claro, em geral o que eu gosto mesmo é ler romance contemporâneo, daqueles com mulheres na fossa, apaixonadas, ou qualquer coisa do tipo.

O resumo da obra é que nessa história de esvaziar a estante, eu acabei me descobrindo de várias maneiras, em diversos sentidos. De quebra, parei de gastar à toa, me tornando mais consciente. Passei a dar mais valor aos livros que já tenho e que ainda não li. Isso não é ótimo? “Perder” coisas para se encontrar pode ser uma boa solução em diversas áreas da nossa vida!

E vocês? Já tiveram que se perder para se encontrar? Na leitura ou na vida?

Com carinho,

Bruna Gomes