Então me rendi

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Me lembro de escrever desde que aprendi na escola. E sempre escrevi de tudo: carta, conto, crônica, dissertação, recado… Tudo o que desse vontade. Escrevia muito em diário também. Mas comecei a entender o que era isso, quando passei a falar sobre sentimento, ou melhor, sobre os meus sentimentos.

A verdade é que escrever sobre o que se sente é muito dolorido. Você, praticamente, sofre duas vezes, no caso de textos tristes. Ou sorri duas vezes, quando o texto é bom.

Na minha opinião, o segredo de um bom texto é aquele te que afeta. Se você escreveu uma dezena de palavras e não saiu alterado, mudado, mesmo que minimamente, este não é um texto de boa qualidade.

(Estou, aqui, falando dos que possuem conteúdo sentimental. Quanto aos profissionais, claro, tudo bem não sentir nada. Mesmo eles, de vez em quando, te beneficiam de maneira que somente eles poderiam fazer.)

Me lembro de, em um término de namoro, ter escrito tanto, que cheguei a conclusão que parte da minha cura foi por causa disso. A cada parágrafo, sentia uma cicatriz se formando. Era um corte que não doía mais. Como se estivesse selado, concluído. Cada assunto digitado era um alívio, menos um peso para carregar. Graças a eles, parte de mim está registrada. Graças a eles, parte de mim se refez, repetidamente.

O fato é que, quando outras pessoas leem seus textos, o que te faz mal reduz mais ainda. É como se fossem amigos ouvindo seus desabafos. Quando se conta uma história positiva, a felicidade é compartilhada. Por isso, acredito muito que cada texto escrito é um presente. Ao escrever, é possível se reconstruir. Colocar os pingos nos is. Delimitar todo o contorno de sua própria vida.

Até mesmo quando se produz ficção. Há um certo enlace entre personagem e escritor. O personagem passa por situações que provocam sentimentos em seu criador. A verdade é que não dá pra escapar. Se escrever está no sangue, é preciso fazê-lo, ou não terá mais a paz interior que você tanto preza.

É inevitável. Então, me rendi. Precisava de cura outra vez.

Com carinho,

Bru