Mais do que eu mesma

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Quando sentei para escrever
alguma coisa sobre o meu aniversário, confesso que passei certo tempo olhando
para a tela em branco do computador. Se pudesse resumir o meu último ano, diria
que foi um ciclo de autoconhecimento. Mas, simplesmente, não consigo me lembrar
o que fiz no meu último aniversário; nem sou capaz de dizer com quem eu estava,
nem recordar o que eu pensei durante aquele dia, muito menos posso dizer quem
eu era há 365 dias atrás. Hoje ainda não tenho muita certeza. Seria pretensão
da minha parte conseguir me descrever por completo aos 21 anos. No entanto,
tenho a garantia de que hoje sou mais eu mesma do que há um ano.
A Bruna de hoje é muito mais
decidida, mesmo que certas decisões não agradem aos outros que a cercam. A
Bruna de hoje não sofre tanto por amores não correspondidos quanto antes e,
talvez, ela nem esteja pronta para viver sentimentos tão fortes como o amor. Ela
é, com certeza, mais organizada, aflita e falante, porém muito mais esforçada e
determinada também. Essa Bruna que eu conheço atualmente não sabe bem como será
o futuro e não gosta de pensar nisso, embora o faça (e com frequência).
Aquela menina que eu fui aos
vinte, sem dúvidas ainda está aqui, mas ela não está sozinha. Agora terá uma
mulher um pouco mais velha, com um pouco de mais experiência e mais vontade de
seguir em frente e conquistar seus objetivos. Sei que é bobagem afirmar isso, mas
a verdadeira batalha sempre será dentro de mim. E sei que aqueles que me amam
realmente vão estar ao meu lado, sem qualquer sombra de dúvidas.
Aos 21, prossigo como uma leitora
fiel e muito justa com os livros – talvez mais justa com eles, do que comigo
mesma. Tenho uma relação tão próxima com esse tipo de atividade, que, algumas
vezes, tenho que explicar para mim mesma que nem todas as pessoas são como eu, e que tudo bem, elas podem aprender comigo e eu com elas.
Também descobri que as palavras, letras e textos, são meu alimento mais rico e
meu tesouro mais precioso.
Hoje, valorizo os pequenos
momentos de maneira diferente da que eu fazia um ano atrás: faço como se cada
etapa, cada acontecimento, fosse único, procurando absorver o máximo que sou
capaz. Ainda tenho um lado manteiga derretida. Me sinto sozinha, rezo, escrevo,
peço ajuda e tento não fugir desses sentimentos sem, ao menos, questioná-los. Acredito
que é apenas consequência de viver; afinal, só vivem, de verdade, aqueles que se
arriscam e tentam fugir do caminho mais fácil, não é mesmo?
Tudo isso faz parte de quem eu
sou hoje, no dia 27 de abril de 2015. Mas não posso, e nem devo, garantir que
serei sempre dessa forma, com essas qualidades, com esses defeitos. Tudo muda.
Eu mudei e continuo mudando. Acho que essa é a graça do ser humano: ter
infinitas possibilidades de se definir e continuar se refazendo, mesmo cercado por diversas incertezas.
Comemorei meu aniversário com jantar especial! <3
  
Para recordar… Texto que
escrevi no ano passado nesse mesmo dia
(mesmo assim, não consigo me lembrar o
que eu fiz nesse 27 de abril…)
http://www.blogdabru.com.br/2014/04/vinte-e-sete-de-abril.html