Precisamos falar sobre autoaceitação

Tempo de leitura: 7 minutos

Hoje madruguei. Acordei cedo mesmo pensando nesse assunto. Não me perguntem o porquê. Só sei que de repente estava criando um texto na minha cabeça e precisava passar para o computador. Enfim… A primeira coisa que me vem na cabeça quando penso nisso é: eu mesma e o que eu penso sobre mim. 

Acreditem… Não é somente sobre o formato do meu corpo, sobre meu cabelo, sobre minhas mãos, sobre o tamanho do meu peito, sobre o tamanho da minha barriga. Não são apenas os aspectos físicos que acho que devemos tratar, mas principalmente deles, no mundo de hoje, com tantos padrões. Pensei muito também numa menina que vi na televisão, falando sobre participar de um concurso de beleza sendo gordinha em meio a tantas meninas mais magras. 
Olha.. Eu já fui muito preconceituosa. Não que eu tratasse as pessoas diferentes, muito pelo contrário. Eu acho que sempre respeitei e amei meus conhecidos ou conhecidas que são diferentes de mim, mas eu sempre pensei que era comodidade ou falta de respeito consigo mesmo, por exemplo, no caso de ser mais cheinho. Ou sei lá o que se passava na minha cabeça. E me perdoem, sou humana, erro, sou injusta muitas vezes.
Talvez as meninas mais magrinhas me chamem muita atenção e as considero bonitas. Mas eu acho incrível e fico maravilhada com outras mulheres que não estão dentro do “padrão (idiota) mundo de qualidade”. Hoje em dia temos muitas modelos plus size maravilhosas, que ganham rios de dinheiro e são muito saudáveis nos quesitos saúde, relacionamentos, vida social, trabalho, ao contrário do que muitos, infelizmente, pensam. 
Minhas opiniões e achismos à parte. Quero centralizar o post nessa frase: “O que você pensa sobre você mesma (o)?”. Quando você se olha no espelho, fica se martirizando, reparando nos defeitos ou deixa pra lá aquela gordurinha na barriga, aquela celulitezinha, aquela cicatriz que você odeia?
Antes, eu olhava pra mim mesma e só me tratava mal. Pensava que estava gorda demais, espinhas demais, celulites demais, tudo demais. O que eu não sabia, E AINDA ESTOU APRENDENDO, é ser gentil comigo mesma. Procuro pensar frases positivas e considerar aquilo que tenho de bom. 
Considerem que eu nunca me aceitei por completo. Talvez me achasse bonita com muita maquiagem, com um vestido lindo e um salto poder. Mas nunca olhei no espelho num sábado em casa e falei: nossa, eu sou bonita!
Que triste, né? Fomos feitos e criados pra habitar nosso próprio corpo, que é “nossa casa” e não gostamos do que estamos vendo. É a mesma coisa que entrar na sua casa mesmo, aquela que você dorme, come e vive grande parte do seu tempo e não gostar daquele lugar. 
Será que a culpa é do mundo todo essa falta de aceitação? Ou a resolução, ou apenas o processo de evolução, está em nós e na nossa cabeça? Será que é mais normal não se amar e ver defeitos sempre, como eu costumava e ainda faço muitas vezes, ou se ver como uma pessoa atraente, que tem amigos maravilhosos, paqueras lindos e gatos e tudo de bom (ao seu ver! Você não paquera alguém para os outros, a pessoa tem que TE dar frio na barriga e não naqueles que te cercam), uma família linda que te ama, qualidades preciosas… Entendem onde quero chegar? Eu também estou nessa caminhada. 
Quantas vezes cheguei para meus pais ou avós ou amigas e falei que me achava horrível com um nariz péssimo, uma mão pequena demais, uma barriguinha esquisita, uma pele pálida demais. E tudo o que eu ouvi foi: você é linda e eu te amo. UM TAPA NA MINHA CARA! 
Quando o amor é profundo e sincero, É CEGO MESMO, e nem é coisa de filme. A pessoa pode ser magra demais, alta demais, baixa demais, torta, nariguda, boba, esquisita… E, no entanto, você vai dar um sorrisinho besta toda vez que pensar nela, ou se sentir grata de ter cruzado seu caminho com aquela pessoa.
Experiência própria, pessoal! Namorei meninos de jeitos e aparência diferentes. Eles eram maravilhosos aos meus olhos e podiam falar o que fosse deles pra mim eu sempre ia ficar louca de amor quando os visse ou pensasse neles. Outro exemplo: a barriga redonda de chopp dura do meus avôs. EU AMO ELAS. Sério mesmo. Elas podem não ser o melhor pra saúde deles (e eu lamento por isso), mas aquelas barrigas fazem parte das pessoas que eu mais amo no mundo. Então eu amo aquelas barrigas tanto quanto amo eles e o amor deles por mim. Obrigada, Deus, força superior, Jah, Buda, pelas barrigas dos meus avôs! Pelo braço molinho da minha avó, pela magreza absurda da minha amiga, pelos quilos da minha outra amiga, pelo pé gigantesco daquela outra que eu tanto adoro! Obrigada, obrigada, obrigada! 
Mas seria tão grata de me amar e agradecer por eu mesma ser quem eu sou… Embora eu me cuide, goste de me alimentar bem, eu AMO chocolate e não me tirem essa alegria. Ao mesmo tempo que “””””amo””””” comer alface, sabendo que vai ser bom pro meu corpo. Entendem? A gente tem que se amar no céu e no inferno também! E, é difícil, mas um dia eu chego lá. 
Só tentem diferenciar: vou deixar o mundo falar como devo ser ou o quanto devo gostar de mim? Ou simplesmente vou parar na frente do espelho e ressaltar as qualidades ao invés do que supomos ser defeitos. Que a gente pare com essa mania idiota! Eu já fiz até uma rinoplastia porque não gostava do meu nariz, mas muito dessa raiva que eu tinha dele era porque os outros falaram que não era bonito. E sério, se EU não tivesse falado que eu não gostava do meu antigo nariz, metade daquela gente da escola nem, ao menos, teria reparado nele! Até que ouvi um ex-namorado dizendo: “o seu nariz foi uma das principais coisas que olhei e que fizeram com que eu me apaixonasse por você”. SIM! Outro tapa na minha cara!
Hoje em dia, eu amo meu nariz e o resultado da cirurgia. Mas eu deveria ter sido capaz de me amar daquela forma. Não condeno e apoio as mudanças cirúrgicas para aquilo que não gostamos, quando temos essa oportunidade. No entanto, isso não pode nos guiar. Não podemos viver em função daquilo que queremos mudar em nós e sim valorizar aquilo que nós já somos!
Que texto comprido, Bruna! Desculpa, gente, mas é que é algo que eu tento conversar comigo mesma sempre!! Como eu já falei muitas vezes aqui: quem for amar a gente de verdade, vai amar tudinho, vai querer te abraçar e te beijar e te apertar até te esmagar de tanto amor. É sério. Acreditem em mim. E as pessoas podem sim nos dar alguns toques, sugestões, tentar te ajudar a engordar um pouquinho (porque tem meninas que se acham magras demais também, galera), ou ir fazer uma caminhada, dar uma volta de bike pra te ajudar a perder uns quilinhos a mais. Quem te amar, vai ser delicado, fofo, compreensivo e carinhoso. Vai te respeitar!
Espero que gostem da reflexão,
E me desculpem se falei alguma besteira, por favor. Fui sincera, me abri, espero a participação de vocês no comentário, mas com MUITO respeito aos outros e a mim mesma.
Um beijo,
Com muito amor,
Bru
  • Anônimo

    É isso aí, menina!! A gente tem que se amar em primeiro lugar. O que encanta, de verdade, é o brilho nos olhos, o jeito sincero, a alegria que contagia, o alto astral… E isso, você tem de sobra. Seja feliz, independente do que os outros acham, e de como você se julga pelo padrões impostos por pessoas que nem sempre são tão sensacionais assim. Para mim, você já se tornou especial e desejo que seja muito feliz!! Beijos, Isabelle

  • Bom dia, Bru!

    Adorei o texto e você tem razão, devemos nos amar e nos aceitar. Estou aprendendo a fazer isso diariamente! É um exercício que devemos fazer a todo momento.

    E sobre a rinoplastia. Eu sempre tive vontade e muito medo. Sempre tive vontade porque as pessoas sempre falaram e ainda falam sobre o meu nariz de batata. Eu não gosto dele realmente, mas não é algo que me faz olhar no espelho e pensar que sou horrorosa. Afinal, Deus fez tudo direitinho. É coisa que passa pela minha cabeça de vez em quando!

    Sou leitora do blog e estou feliz que você está postando bastate!

    Beijo, amiga