Vamos atravessar

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Nunca gostei muito de dizer adeus. Sempre preferi as chegadas. Daquelas inesperadas mesmo. Foi assim com a faculdade. Eu tinha apenas 17 anos quando fui fazer minha matrícula em uma cidade ainda pouco conhecida por mim. Quando fechei o portão e meus pais me deixaram lá, com a minha amiga que dividiria a kitnet comigo pelo resto do ano, senti algo difícil de descrever. Era como se alguém tivesse cortado o cordão umbilical ou dissesse para mim “Bem-vinda a sua vida nova”. 
Eu não chorei. Apenas segui para minha casa nova e comecei a absorver tudo o que me rodeava; comecei a tentar entender o que aconteceria dali para frente. E posso dizer que tirei de letra, pois adorava cozinhar, sair a hora que eu quisesse, ir ao bar com meus amigos novos, dar risadas, ir dormir quando eu bem entendesse. Era tudo maravilhoso!
A verdade é que eu ainda acho tudo maravilhoso. Só que agora estou em contagem regressiva para o fim dessa fase. Acabou a mamata! Ano de TCC e tudo o que eu consigo pensar é que preciso absorver todos os detalhes, para não esquecer de tudo o que eu vivi em Campinas, com aquelas pessoas, com aqueles professores, naquelas ruas que rodeiam a minha universidade. 
Dias atrás fui ao trote. Vi veteranos pintando seus “bichos” e “bichetes”, vi recém-aprovados com cara de assustados, mas também vi muitas amizades sendo feitas ali e pude me transportar, mesmo que rapidamente, para o meu trote, lá em 2012. Queria poder ter filmado, gravado, mais do que apenas na memória. Queria escrever como me senti e como me sinto entrando em aulas que não frequentarei mais no próximo ano. Mas nem todos esses sentimentos podem ser descritos somente como saudades. 
O que eu sinto mesmo, aqui dentro de mim, é a pura e verdadeira vontade de seguir em frente. Attraversiamo! Quero conhecer lugares novos, morar em apartamentos diferentes, trabalhar em cidades nas quais eu não sei andar sem um GPS, quero conhecer pessoas novas, quero quero quero quero! Quero sem fim! A sensação é de que estou apenas começando! É algo que descrevo como um pontapé inicial para a minha vida como adulta. 
Me despeço dessa fase que um dia chamei de nova com uma atenção especial aos detalhes. Detalhes que não pude enxergar com meus olhos de novata. Procuro perceber os cantinhos e tudo o que passou despercebido pela visão de uma menina deslumbrada. Agora preciso cimentar meus pés no chão, mas não posso deixar de planejar, ou sonhar. 
A conclusão desses quatro anos ainda está longe, mas aprendi algo sobre mim mesma. Apesar de odiar despedidas, sei que sou muito boa com transições. Tenho medo, sou insegura, uma garotinha quando preciso ser grandona. Muitas vezes juro de pés juntos que não vou dar conta de chegar ao topo da montanha. No entanto, a realidade me ensinou que eu sou bem capaz. Posso passar por namoros que não deram certo, posso tirar notas boas em provas que tiram meu sono, posso mudar de cidade sem sofrer pela distância, posso enfrentar o primeiro dia de trabalho, de aula e até mesmo de uma nova fase. 
Minha vida é agora! Sempre foi no presente, claro. Mas é que o futuro está ali, do outro lado, acenando pra mim, me chamando pra brincar! Ele me quer do outro lado e eu também quero estar lá. Estou de cinto de segurança atado, coloquei meu capacete, minhas joelheiras, cotoveleiras e até mesmo roupa especial de proteção. Estou pronta pra viver o que virá. Enquanto isso, fico aqui, colocando no papel tudo o que eu quero guardar.

  • Mãe da Bru

    Continue seguindo em frente filha…a vida sempre lhe proporcionará novas fases e novos desafios… Estaremos com vc, em qualquer situação, sempre prontos, sempre com amor.
    Bjs.