Atrasos e julgamentos

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Hoje é o último dia do Exame Nacional do Ensino Médio, mais conhecido por todos como Enem. Já é de praxe que, todo ano, muitas pessoas ao redor do Brasil acabam perdendo a chance de fazer a prova por falta de documentação, atraso, além de outros motivos, sempre muito recorrentes. Mas, algo que também é recorrente nessa época do ano e me causa um tanto quanto de preguiça são as pessoas que julgam esses candidatos. Basta entrar na página do Facebook do G1 para entender do que estou falando. ”Bem feito”, ”Eu acho pouco”, ”Se quisesse fazer a prova, teria saído mais cedo de casa” e por aí vai… Não sei vocês, mas para mim, esse comportamento do ser humano assusta.
Em 2013, como vestibulanda desesperada que era, cheguei a checar umas cinco vezes se estava com toda a minha documentação, canetas que funcionassem e calculando a todo momento, se o horário que eu tinha combinado com a minha mãe de sairmos de casa, seria o correto para que eu chegasse a tempo. Quando entramos no carro, mamãe disse ”Pegou caneta? Mais de uma, né? Cadê o RG? Água, lanche??? Respira fundo, vai dar tudo certo”. Sorte a minha! Eu tinha pais que me apoiavam e sabiam a importância que aquele exame tinha pra mim, eu tinha carro para ir, uma mãe que se dispôs a me levar e tempo o suficiente para acordar, almoçar e me preparar. Foi aí que pensei: nem todos têm a mesma sorte. Pai e mãe que os levem na porta do local de prova, condições de sair mais cedo de casa, instrução o suficiente para fazer tudo correto. Muita gente depende de carona do vizinho, do ônibus, do metrô, táxi, trem ou bicicleta. Nem todos têm pessoas que os apoiem no dia, diminuindo, um pouco que seja, o nervoso e a pressão absurda que sentimos naquele momento. Podem acontecer inúmeras coisas do caminho da sua casa até o seu local de prova; inúmeras MESMO. O trânsito é imprevisível, sabemos que acidentes acontecem todos os dias e a gasolina do carro pode acabar. Mas, seja lá qual for o problema, ele não te dá o direito de julgar, entende?
Quem já fez o Enem sabe o quão cansativa é a prova e que a única coisa que mais queremos enquanto estamos dentro daquela sala é terminar tudo o quanto antes, sair, respirar fundo e sentir um peso a menos pela prova já ter passado. Tenho pra mim a certeza de que esses candidatos queriam o mesmo, mas, agora, terão que esperar mais um ano para ter outra chance. Então quer dizer que você passa um ano todo se preparando, mas circunstâncias no dia da prova te impedem de realizá-la? SIM. TRISTE, NÉ? Olhando aquelas fotos, só consigo sentir pena e torcer para que, ano que vem, o número de vítimas desse tipo de problema diminua.
Julgar o outro é um dos maiores defeitos que o ser humano carrega e raras são as pessoas que conseguem não fazer isso. Admiro-os, pois sei o quanto me pego fazendo isso e então paro e reflito. E se fosse eu? Comece a fazer o mesmo! Quem sabe até 2016 a gente consegue diminuir o número de vítimas dos ”portões fechados” e também o número de pessoas que adoram julgar.
Por Júlia Groppo

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